Num. 14, Vol. 2 (2026)
ISSN:2616-4574
SOCIEDADE LÍQUIDA E LAÇO SOCIAL: A VISIBILIDADE COMO SUBSTITUTO DA EXISTÊNCIA
HIPÓLITO VALERIANOResumen
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O presente artigo analisa as transformações do laço social na contemporaneidade a partir do diálogo entre a Psicanálise, a Filosofia e a Sociologia, tendo como referência as contribuições teóricas de Sigmund Freud, Jacques Lacan, Zygmunt Bauman, Michel Foucault, Friedrich Nietzsche, Arthur Schopenhauer, Søren Kierkegaard, Giorgio Agamben e Byung-Chul Han. Parte-se da hipótese de que a sociedade pós-moderna é marcada pela progressiva substituição da escuta pela visualidade, da palavra pela imagem e do reconhecimento simbólico pela lógica da exposição permanente. Inserida em uma cultura digital orientada pelo consumo, pela performance e pela hiperprodução de imagens, o sujeito contemporâneo passa a buscar no olhar do outro a confirmação de sua existência, transformando a visibilidade em valor social e a identidade em mercadoria. A análise demonstra que a modernidade líquida enfraquece os vínculos duradouros, favorecendo relações marcadas pela transitoriedade, pelo individualismo e pela precarização dos laços humanos. Ao mesmo tempo, a expansão dos dispositivos digitais de controle e autoexposição intensifica formas de subjetivação fundamentadas na estetização da vida cotidiana, na sociedade do desempenho e na captura do desejo pelos mecanismos do mercado. A partir da teoria psicanalítica, evidencia-se que a tentativa de eliminar a falta constitutiva do sujeito por meio do consumo e da busca incessante por reconhecimento produz novas modalidades de sofrimento psíquico, angústia e vazio existencial. Conclui-se que a sociedade contemporânea, ao privilegiar o olhar em detrimento da escuta, produz indivíduos cada vez mais visíveis e cada vez menos capazes de estabelecer vínculos significativos. Nesse cenário, a Psicanálise emerge como prática ética de resistência, reafirmando a centralidade da palavra, do desejo e da escuta na reconstrução do laço social e na preservação da singularidade subjetiva diante da lógica espetacularizada da existência. |
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