Num. 14, Vol. 1 (2026)
ISSN:2616-4574
MELANCOLIA, VESÍCULA BILIAR E CÁLCULOS: UMA LEITURA PSICOSSOMÁTICA ENTRE FREUD, LUIS CHIOZZA, DSM-5 E CID-11
HIPÓLITO VALERIANOResumen
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A melancolia constitui um fenômeno complexo que atravessa a história da medicina, da filosofia, da psiquiatria e da psicanálise. Desde a concepção hipocrática da ??????? ???? (mélaina cholé), ou "bílis negra", até as formulações contemporâneas da CID-11 e do DSM-5, a compreensão desse estado tem sido marcada pela articulação entre corpo, afeto e sofrimento psíquico. O presente artigo analisa a melancolia sob uma perspectiva interdisciplinar, enfatizando as contribuições de Sigmund Freud e de Luis Chiozza para a compreensão dos vínculos entre processos emocionais e manifestações corporais. Em Trauer und Melancholie (1917), Freud concebe a melancolia como uma reação patológica à perda, caracterizada pela identificação inconsciente com o objeto perdido, pela autodepreciação e pelos intensos sentimentos de culpa. Complementarmente, a psicossomática de Chiozza propõe que determinadas enfermidades podem expressar simbolicamente conflitos afetivos inconscientes, destacando a vesícula biliar e a formação de cálculos biliares como possíveis representações de ressentimentos, amarguras e conteúdos emocionais cristalizados. O estudo também aborda os critérios diagnósticos contemporâneos da melancolia como especificador dos episódios depressivos, segundo os sistemas classificatórios internacionais. Conclui-se que a integração entre a perspectiva médica, psiquiátrica, psicanalítica e psicossomática possibilita uma compreensão mai ampla do sofrimento humano, reconhecendo que os processos de adoecimento envolvem simultaneamente aspectos biológicos, subjetivos, simbólicos e existenciais. |
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